Quinta, 03 de Abril de 2025
Em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (2), o delegado Guilherme Scucuglia Cezar, chefe da GARRAS (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), detalhou a operação que resultou na apreensão de oito pistolas de origem internacional e 387 quilos de maconha em um imóvel no bairro Jardim Canguru, na região sul de Campo Grande. O local, denominado "paiol do crime", teria função semelhante a uma "locadora" de armas para atividades ilegais.
Scucuglia não descartou a hipótese de os investigados integrarem um esquema organizado para aluguel de equipamentos criminosos, prática que classificou como "corriqueira". "É possível que tenha a participação de alguma facção criminosa, e também que tenha essa atividade criminosa que vem se apresentando corriqueira nas nossas investigações. Tudo isso vai ser objeto de apuração e nós vamos buscar elementos informativos nesse sentido, seja para eventual vínculo com associação, organização criminosa ou outros suspeitos que venham a ter utilizado essas armas de fogo", afirmou.
A propriedade apreendida consistia em uma residência frontal, onde moravam o suspeito e sua mãe, e um cômodo nos fundos usado para estocar os armamentos e entorpecentes.
Origem do armamento
As pistolas apreendidas eram provenientes de quatro países: Bélgica, Turquia, Israel e Filipinas. As 250 munições de calibre 9 mm encontradas no local foram fabricadas na Argentina.
Segundo o delegado, os equipamentos serão periciados para verificar possível uso em outros crimes. Ele destacou ainda que os itens não permaneciam muito tempo no mesmo lugar. "Criminosos que guardam vultosas quantias de armas, drogas e o que seja extremamente valioso, tem a prática de retirar esses objetos frequentemente de um local para o outro, para que dificulte uma eventual busca e apreensão e assim por diante", explicou Scucuglia.
O homem detido durante a operação não possuía antecedentes criminais, conforme destacou o delegado. "E isso tem se mostrado cada vez mais comum, principalmente porque uma das vertentes investigativas é justamente buscar aqueles indivíduos que têm algum tipo de passagem criminosa. Nesse caso o que não tinha é que estava de posse desse arsenal de armas ou drogas", acrescentou.
A localização geográfica de Mato Grosso do Sul foi apontada como fator que facilita o acesso a armas de fogo em comparação com outros estados. "Os criminosos utilizam subterfúgios para que essas armas de fogo, objetos ilícitos, principalmente os de pequeno tamanho como esses, sejam facilmente removidos de um lugar para o outro", observou o delegado.
As investigações seguem com foco na identificação de locais usados temporariamente para armazenamento de armamentos antes de sua redistribuição para outras áreas.